planecrash

Acidente Aéreo
Este lamentável acidente ocorreu por volta das 18h30 do dia 10 de abril de 1957. Após decolar do Aeroporto Santos Dumont-RJ às 17h30, com 26 passageiros e previsão de chegada ao Aeroporto de Congonhas às 19h00, o Douglas DC-3 PP-ANX, pertencente ao consórcio Real – Aerovias – Nacional, caiu na mata que recobre o Pico do Papagaio, ponto culminante da Ilha Anchieta, situada nas proximidades do Centro de Ubatuba. Eram 18h10 quando o PP-ANX informou ao controle de trafego aéreo que tentaria pousar em Ubatuba com um dos motores em pane, pouco depois outro avião do consórcio comunicou ter avistado uma grande fogueira na Ilha Anchieta.

dc3

Naquela quarta-feira a “Real” cancelara seu vôo da 15h do Rio para São Paulo com escala em Santos, devido às precárias condições meteorológicas presente no litoral norte de São Paulo. Luis Andrade Cunha, um dos quatro únicos sobreviventes do desastre, declarou que a viagem era normal quando os passageiros foram avisados de deveriam atar seus cintos de segurança e não fumar. Pouco depois, o avião precipitou-se no Pico do Papagaio. Luis tivera sorte em escapar com vida, pois nem tivera tempo de atar seu cinto de segurança, lembra-se que, após o primeiro impacto, o avião deu duas ou três cambalhotas antes de parar, e que a fuselagem separou-se das asas e dos motores, sendo poupadas das chamas que consumiram o restante do avião.

Embora a comissão de investigação tenha atribuído o acidente à falha de um dos
motores por razões indeterminadas, as circunstâncias que o cerca ainda permanecem obscuras. A rapidez com que a situação do vôo deteriorou não pode ser explicada somente pela perda de um dos motores, já que os Douglas DC- 3 voavam bem monomotor, principalmente quando a falha manifestava-se na faze cruzeiro. Um súbito disparo de hélice poderia levar o piloto a perder rapidamente o controle do avião, esta hipótese, porém, não encontra respaldo no depoimento do passageiro sobrevivente, que dificilmente deixaria de mencionar o ruído alto e estridente  produzido por uma hélice descontrolada em alta rotação.

areroporto-de-ubatuba

Talvez um incêndio em um dos motores tenha levado o comandante Ferreira a tentar pousar em Ubatuba as pressas, antes que o fogo comprometesse a resistência estrutural do avião. O certo é que algum problema súbito e de natureza grave fez Ferreira abandonar o nível de cruzeiro e descer rapidamente em direção ao litoral norte de São Paulo, repleto de elevações ocultas pela escuridão daquela noite chuvosa. Pousar visual à noite em Ubatuba sob intensa pressão psicológica, e condições meteorológicas adversas, eram missão quase impossível de ser bem sucedida. Tentando visualizar o contorno do litoral paulista e identificar a luzes de Ubatuba, Ferreira pode ter efetuado manobra evasiva ao avistar o vulto do Pico do Papagaio em meio à chuva. Nas condições precárias em que o vôo desenvolvia (monomotor), tal manobra pode ter causado perda de sustentação, que levou o avião a precipita-se sobre a mata que recobria o morro. Além de Luis Cunha e do comissário Leonard, resgatado ainda com vida, mas bastante queimado, sobreviveram Dalva Zema e sua filha menor, Marlene Zema.